quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ouvir o corpo



"If you really faced the world as it is you would find it something infinitely greater than any philosophy, greater than any book in the world, greater than any teaching, greater than any teacher"


To be human - Krishnamurti




No caminho da experiência direta ficamos muito mais sujeitos a volatilidade das emoções, aos impulsos, ao aparecimento dos nossos carmas. Tenho procurado experienciar mais e mais todo conhecimento adquirido, toda teoria estudada e depois de passar de uma fase mais "mental", para um caminho do coração tateado e descoberto por experiências intensas, descubro o caminho do corpo.
A mente ficou sobrecarregada, as emoções muitas vezes ferveram e o corpo... tinha me esquecido que tinha um. Algumas dores e sensações desconfortáveis me mostraram que é minha "caixa preta", em cada cantinho está uma informação valiosa sobre cada "acidente" de percurso. Esses "acidentes" são as inúmeras vezes em que a vida não flui, a enegria fica estagnada, e a alma (e o corpo) contrariados reagem em forma de dor.
A mão da terapeuta desobstrui os pontos dolorosos, faz o chi circular melhor, a energia se alinhar e fluir, mas isso é apenas um instrumento esporádico. Não me bastavam mais os paleativos, a vida tem me pedido estrutura, e eu, subestimado meu corpo a papéis tão menores do que o que ele realmente pode alcançar em todo seu potencial.
Então chegou a hora de ouvir meu corpo.

Primeiro passo, silêncio. Deitada, sentada, no banho, meditando, saber silenciar para ouvir o que ele quer tanto me dizer e assim não precise mais gritar. Sim, porque a dor é um berro do corpo por atenção.
Sempre fiz muitas atividades físicas e de uns tempos pra cá, por incrível que pareça, estava tão dedicada ao espírito, a lógica, aos sentimentos que me esqueci de cuidar dele nesse sentido. Fui para o extremo oposto, de alguém que cuidava até em excesso do seu corpo, por prazer e por estética a alguém que achava que o corpo podia esperar mais um pouco. Foi uma surpresa pra mim perceber o quanto tenho sido negligente com meu próprio corpo e o quão profundo era esse fato...
Comecei então, a sentir meu corpo como ele é agora e o que ele estava pedindo. Por ironia, era o que todo resto pedia: mê de estrutura e eu poderei fazer o que quiser.
Já que o processo todo pede por estrutura, por que não começar pelo corpo, que é a forma mais fácil de perceber já que é tão concreta no sentido de tátil? E daí em diante ,para as áreas mais sutis, o processo vai seguindo por consequência...

Segundo passo, fazer todas as atividades com mais consciência. Isso significa um ritmo muito mais lento, para atenção e respiração estarem em harmonia e para os efeitos serem realmente duradouros. A partir disso, todo dia tenho uma experiência de metáfora com ensinamentos do meu próprio corpo, vou citar alguns exemplos práticos:

- Pra melhorar a postura das minhas costas, preciso encaixar meus ombros de uma forma que eu não precise tensionar pra manter. Se o encaixe for correto, há relaxamento depois e a postura se mantém sem força, caso contrário, aciono a musculatura e a vértebra errada e vem a dor. Não é assim com a maioria das situações? Se colocamos o que parece caótico em seu devido lugar ao mesmo tempo em que entregamos ao processo natural da vida, não ficamos mais relaxados, mais leves?

- Pra aguentar uma sobrecarga, preciso contrair muito bem o abdomen com a lombar pra formar a base de sustentação de qualquer exercício de força. Não deveria ser assim quando a coisa fica pesada na vida, lembrar da base, se posicionar e fazer o que tem que ser feito?

- Para cada movimento há o tempo de respiração correto, apenas fazer mecanicamente, sem atenção na respiração é como se não estivesse fazendo ou acabo sentindo dores depois.
Não é um pouco assim com as situações impulsivas em que mal respiramos antes de tomar uma atitude? Sem presença e consciência da ação não temos experiência, não incorporamos nada e ainda podemos sofrer depois...


Em terceiro lugar, observar as reações emocionais em cada chacra. Na relação com as pessoas e o mundo sempre há a predominância de um ou mais chacras e uma reação física correspondente. Nessas horas, estão juntas as reações físicas, a respiração e uma sensação, e observando cada vez mais a qualidade dessas sensações, acabamos por desenvolver uma espécie de "semáforo" interno, sabendo a hora de parar, pausar ou seguir. Observando o que o corpo avisa nesses centros de energia, sente -se mais fluidez, pois não há apenas reação a um estímulo externo e cessão aos impulsos e sim a escolha consciente da energia a ser empregada em cada situação. Isso é a verdadeira fluidez, nem desperdício nem economia, apenas a energia necessária para determinado fim. A famosa lei do mínimo esforço na espiritualidade, que nada tem a ver com torpor ou acomodação, mas sim com uma mente atenta, consciente.

Isso tudo não é fácil, como tenho descoberto parece que o caminho da integridade e da inteireza é sempre a junção de muitas práticas, as vezes vamos descobrindo uma a uma, indo a extremos, voltando para um início, enfim, cada um a sua maneira. Então não tenho muita saída ultimamente a não ser dedicar mais atenção e disciplina as minhas experiências, se quero tanto descobrir por mim mesma o que os mestres dizem. Nesse momento entendo o que ouvi muitas vezes do Lama Padma Samten: "Não podemos perder tempo". Perder tempo nesse caso é perder preciosa energia que sempre pode ser direcionada para algo mais elevado, enquanto estamos apenas preocupados em satisfazer nossos desejos e andamos em círculos. Cada vez que pisamos fora desse círculo, mais nos é exigido e parece que não teremos força ou habilidade para seguir em frente. Nesses momentos que sinto cansaço vejo que nada mais é do que um costume bobo e mimado de viver uma vida ordinária, cujo sofrimento parece difícil mas que também há prazeres que não imaginava encontrar num outro nível.

Então, para todos que como eu querem saber o que há na outra margem, experimentem por si mesmos tudo o que aprendem, lêem, ouvem com a prática diária em situações corriqueiras e cotidianas. E isso pode acontecer dentro de uma academia fazendo um exercício olhando no espelho, dirigindo o carro, lavando a louça, numa festa, num momento íntimo e não apenas em posição de lotus ou numa sala de yoga. A forma não importa, sempre que prevalecer o aprendizado a prática é possível em qualquer situação, ao menos assim tem sido na minha pequena visão de evolução.
Mas não esqueçam de dar atenção ao corpo que é o instrumento para tudo o queremos alcançar e nossa manifestação nesse mundo material, então ele deve ser respeitado, reverenciado e apreciado como divino.






P.S: Dedico a Mila, Erica e Ana que são muitas vezes as intérpretes do meu corpo pra que eu possa cuidar dele melhor, obrigada!
Dedico ao meu amado companheirinho Simba, que faz aniversário hoje, e cuja fluidez de movimento é admirável.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Verdade nua e crua



Assisto ao filme "Verdade Nua e Crua" em cartaz nos cinemas com Katherine Heigl (de Grey's Anatomy)
e o delicioso Gerard Butler (de P.S. I Love You, que me inspirou a contar minha história de separação).
Filme muito divertido, sem ser piegas, e com boas reflexões sobre os relacionamentos.


Mike é o esteriótipo do machão, meio chauvinista, com suas teorias prontas sobre relacionamentos. Abby é o oposto, romântica, idealizadora e ansiosa por encontrar seu príncipe encantado. Tanto faz quem diz o que é realidade ou ilusão, ambos começam o filme na superfície do assunto, o mais interssante acontece no movimento que os levam a outras descobertas no decorrer da história, de uma forma bem divertida.
Pra mim os clichês servem pra nos situar sobre algumas "realidades" que podemos levar em consideração quando nos relacionamos com o sexo oposto, mas vale o cuidado pra que não nos prendamos a "receitas de bolo". Que os homens são mais visuais e vêm o sexo em primeiro lugar, que as convenções sociais colaboram com a idéia de monogamia e com o casamento, tem sua razão. Que as mulheres têm uma maior tendência ao romantismo, querem um casamento e construir uma família, em geral procede. Que alguns jogos de sedução e artifícios funcionam muito bem também são uma verdade. Mas a pergunta que ficou na minha cabeça durante a sessão foi: o que é a verdade? A verdade não é até onde você quer chegar?

Explico. Entre os machismos, feminismos, biologia, história, genética etc entre todas as convenções, especulações e afirmações sempre há um componente de zilhões de possibilidades altamente pessoais, fora dos padrões e do nosso controle, que unem duas pessoas. Para mim isso se resume a duas perguntas: Aonde você quer chegar e o que você quer do relacionamento? O contato com essas respostas realmente nos levam as verdades nuas e cruas, mas não as de um senso comum, mas as nossas próprias.

Assim se nos atermos apenas a conquista, saibamos que por ali vamos ficar praticamente em círculos, num jogo que tem limite, mas pode se repetir diversas vezes. Seduzir com foco apenas na conquista, com estratégias como dita Mike, pode até ser bem sucedido, mas é algo limitado em termos de "onde chegar", afinal seduzir exige mais talento que habilidade (no meu modo de ver) pois todos nós nascemos com alguma capacidade natural. Além disso há muitos artifícios para se lançar mão quando esse lado não é bem desenvolvido, vide a quantidade de pessoas que ensinam técnicas e dão dicas sobre o assunto e como isso tem aumentado cada vez mais.
Com isso não quero diminuir o valor da sedução mas quero levar o leitor para além desse lugar mais conhecido e seguro.

Se você quer chegar ao amor, o tão idealizado, deturpado e ansiado amor, os caminhos mudam completamente. Para mim, o terreno do amor é tão surpreendente, desconhecido e fascinante que nenhuma regra vale na prática. Não enquanto se vive o amor, talvez olhando de fora, num momento mais ou menos favorável consigamos explicar as razões do sucesso/fracasso amoroso. Mas o amor exige uma transformação tão constante, uma atenção e principalmente autoconhecimento e consciência, que de antemão se parece com os doze trabalhos de Hércules. E isso tudo com um grande risco de frustração, então deve ser mais ou menos por aí que reside nosso grande temor em realmente amar. E é esse medo que causa todas as grandes confusões, e isso o filme também ilustra.

Seja na realidade de Mike ou na fantasia de Abby em ambos há a idealização ou no mínimo uma projeção de situações do passado. Isso é bacana de ver no filme, como somos reféns das frustrações anteriores e como isso cria modelos e padrões em nossa mente. Então me ocorre algo dos ensinamentos espirituais, o estar no momento presente que muitos chamam de estado de não-mente. A presença, estar pleno naquele momento e com aquela pessoa, essa é a forma de dar um salto para algo mais profundo e ilimitado. E quanto mais aprofundamos, mais verdades nuas e cruas vão aparecer, as verdades sobre nós mesmos, isso é o grande salto.

Tenho cultivado um olhar para as relações como um rico instrumento de autoconhecimento e crescimento, afinal elas são grandes desafios e espelhos das nossas próprias questões. Tenho tentado dar mais valor ao aprendizado e menos aos resultados. Não tem sido fácil pois tenho tido relações cada vez mais fora dos padrões a que eu estava acostumada, onde tenho menor controle. Mas depois de muito me culpar, frustrar e ficar pessimista decidi experimentar essa nova forma de olhar as situações. Assim tenho conseguido dar menos atenção as frustrações e colocar mais atenção no meu caminho, estando presente nele como naquelas perguntas que mencionei acima. Trazendo esses questionamentos pra minha própria evolução, penso que posso estar mais honesta e inteira sempre que me relacionar com um homem.

Uma das "verdades"em que acredito é que o amor é encontro, pois quando isso acontece parece que automaticamente nos entregamos a aventura cheia de terrenos acidentados sem precisar se apoiar tanto em modelos ou idéias preconcebidas. Quando acontece um encontro, todas as instruções de Mike caem por água abaixo e as neuras de Abby também. O problema é que vamos deturpando essa conexão incial genuína com o passar do tempo, conforme nossas inseguranças são desafiadas pela impermanência das situações.
Falando por mim , tive a sorte de ter dois grandes encontros na vida, um aos 14 anos com meu primeiro namorado e outro com meu ex-marido aos 18. Após minha separação tive um namorado que enquanto éramos um "caso" foi um encontro bem bonito, mas que no relacionamento como namorados não prosseguiu, o que levou ao rompimento. Com ele ficou mais claro o que já tinha vivido antes, quando um homem realmente gosta de uma mulher ele é muito destemido e tem muitas habilidades com os obstáculos. Como é bonito ver essas qualidades despertas num homem! Esse meu ex-namorado foi uma das pessoas mais habilidosas e persistentes que conheci, e não apenas para a conquista de um "troféu". Ele sabia estar por perto, as vezes se excedia, as vezes era na medida, mas nunca menos. Quando percebia resistência em algum aspecto ele simplesmente contornava sem eu sequer saber como, quando via lá estava eu entregue junto dele.

Todos nós temos medo quando começamos a nos envolver. As mulheres podem disfarçar com uma certa frieza e arrogância e os homens com um certo descaso, egoísmo, vaidade, mas é muito fácil perceber. Pra mim estava claro desde o início que Mike tinha sido ferido em algum momento para ser tão racional e "cru".
Mas o que tem a relação de Mike e Abby de interessante para que eles terminem juntos?
Mike sabe os pontos fracos de Abby, suas neuras, obsessões. Abby sabe o lado cru de Mike, que a princípio a choca muito. Quando começam a trocar com o outro sobre seus universos, o primeiro ponto de conexão acontece. Mike com seus conselhos, estava tentando trazer o melhor de Abby a tona. Abby, mais solta, se relaciona de outro lugar com Mike, não mais a neurótica e controladora somente, mas também mulher, segura, divertida e por isso muito sexy. Não só por roupas e cabelo, mas por ter se apropriado de um lado adormecido que a fez brilhar.
Quanto mais segura Abby se torna, mais se relaciona de igual pra igual com Mike, e isso é absolutamente sedutor, não há nada mais sexy que pessoas inteiras. O ponto de conexão fatal é na viagem em que Mike tem seu lado frágil exposto. Ali Abby entra em contato com o "verdadeiro" Mike, tê-lo assim mais nu e ainda espontâneo é mais uma conexão. E nada mais simbólico que a dança que acontece. Eles estavam no ponto para uma dança, prontos para interagirem inteiros, então contece a explosão, não só sexual, mas a explosão do encontro.

Sem medir forças, o homem parece mais frágil que a mulher para enfrentar seu medo de amar, acho que têm medo do que é estar inteiros com uma mulher numa vulnerabilidade que julgam ameaçar sua virilidade ( pra mim é exatamente o contrário). Nós, em contrapartida, temos muitas inseguranças do quanto esse homem está com a gente mesmo, uma coisa de apego e receio do abandono talvez, e também de que se formos inteiras isso possa "espantar" esse homem. Intuitivamente o que me ocorre é que nós mulheres tendemos diante da força/fraqueza masculinas a oscilar entre a mãe e a filha deles. O mais sábio pode ser o seguinte: compaixão sempre.
Diante de um homem que você realmente se conecte, sorrir mais diante das fraquezas que simplesmente apontá-las e criticá-las. Trazê-lo para dentro de você onde é seguro se mostrar como é, sem mentiras, jogos ou manipulações. Como se diz no Budismo, trazê-lo para sua paisagem, em nível de energia, sem precisar dizer como fazer como uma mãe ou ficar tão carente como uma filha.

Diante de uma mulher que você realmente se conecte, sorrir para as durezas que aparecem em forma de excessos. Contornar habilmente as resistências, despi-las e tirá-las pra dançar. Trazê-la para sua paisagem, penetrá-la mostrando em energia que você está inteiro com ela, sem ser muito racional como pai ou infantil como filho. O homem que está ao lado dela, com todos os medos, certezas, forças e inseguranças.

A cena da dança é a mais bonita do filme e a mais sexy, sem dúvidas. Quando os papéis ficaram na cadeira e na pista estão apenas um homem e uma mulher deixando suas "primeiras intenções" falarem mais alto.
Essas intenções só aparecem da inteireiza de cada um, e paradoxalmente, da liberdade de transitar até entre a sedução, os jogos ou o que for, sem se prender a nenhum desses rótulos ou modelos.



P.S: Dedico a tudo que aprendo na convivência com os homens, num lapso de compaixão por todos os aspectos do que isso inclui.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Medo

Medo (clique pra ver a imagem, de preferência antes de ler o texto)
Trecho do filme "Zabriskie Point" de Michelangêlo Antonioni com trilha do Pink Floyd

Quando tudo estiver desmoronando a sua frente, contemple. Na observação honesta e profunda, todos os medos se dissolvem e abrem espaço para uma nova consciência que nos faz estar muito mais inteiros e presentes.

Eu mesma num lapso de lucidez depois de um furacão



Falar sobre o medo sempre é mais fácil, pois assim o medo é uma idéia, um conceito. Assumir o medo com a profundidade que ele tem dentro da gente é o verdadeiro desafio, reconhecê-lo e abraçá-lo muitas vezes algo que parece impossível. A beleza dentro das manifestações dos venenos da mente, é poder acolhê-los em você e nos outros, num ato de grande compaixão. Falo dos venenos da mente porque por trás deles, na minha opinião, sempre há o medo. E não deve ser a toa que na espiritualidade, a palavra destemor esteja tão presente.
Convido vocês a experimentarem, tatearem, saborearem, olharem, ouvirem o medo.

Medos são marcas que carregamos e não nos damos conta até que apareça uma situação propícia para que ele surja instantâneamente. Então tentamos controlá-lo, escondê-lo, camuflá-lo pelo excesso ou pela falta. Dentro da impermanência da vida pude vivenciar recentemente duas facetas dos medos de outras pessoas e, consequentemente dos meus.
Numa situação acompanhei uma pessoa que não conhecia num de seus maiores medos: escuro e da possibilidade de ver "coisas" no escuro. Ela queria viver a experiência mas tinha muito medo, a única possibilidade que via era se tivesse uma acompanhante, então me ofereci para acompanhá-la por ver nos olhos dela o tamanho da vontade de enfrentar aquilo. Ela confiou em mim de uma forma que me tocou muito e então fomos deixadas numa estrada sem iluminação, nas montanhas, onde me propus a acompanhar essa mulher.
Não entro em muitos detalhes pois seria leviano da minha parte com a grandeza da experiência, mas ela permaneceu agarrada ao meu braço a maior parte do tempo e isso, de certa forma , me deu receio pelo tamanho da responsabilidade. Mas nossa experiência foi mais leve do que imaginávamos e acho que por dois motivos fundamentais: a confiança dela (não só em mim mas no contexto todo) e a solidariedade que ela me despertou (não só por ela mas por mim mesma inclusive).
Não sei os reais efeitos de ter experimentado o escuro pra ela, mas posso dizer que é uma pessoa de muita coragem onde o medo só fazia sabotar sua auto-estima e sua força. Os fantasmas e marcas construídos por muitas experiências dolorosas de vida eram como aquela escuridão: ao acender a luz você saberia que um tronco de árvore não era um espírito e um cupinzeiro não era um gorila. Ela me achar tão corajosa e se achar tão medrosa era exatamente isso: dependendo de onde se jogasse a luz poderíamos ambas ser um ou outro. Mas o que ela não sabe é o que ficou pra mim: a oportunidade de ter a confiança tão pura de alguém foi preciosa pra que eu desse o meu melhor. Saí dos meus fantasmas particulares pra me entregar junto com ela numa jornada que no fundo, eram os meus medos também de uma outra maneira.
Como acompanhante posso dizer que mesmo sem aquele medo, me identifiquei com as sensações por ela descritas, que são as mesmas que tenho para outros medos meus. Tenho muitas estradas escuras na vida onde vejo "coisas" e onde coisas aparecem do nada como sólidas e reais, uma delas é quando me relaciono com alguém. É fácil fantasmas antigos e alguns novos aparecerem. Nessas horas também preciso de um braço pra me agarrar, e de alguém com calma pra me dizer que é um gorilinha no escuro, mas que quando acender a luz não passa de um cupinzeiro.
Somos todos infantis diante dos nossos medos, e isso não nos diminui. Mas podemos aproveitar e tentar ver os fenômenos de uma forma mais inocente e lúdica, assim acessamos novos lugares onde o medo não terá espaço. Afinal, vocês já perceberam como as crianças são destemidas quando estão longe das interferências dos adultos?

Outra situação de um aprendizado muito rico, foi presenciar o medo de alguém que era próximo em forma de reações fortes e agressivas. Tive uma experiência do desastre que pode causar uma comunicação baseada no medo, mesmo quando há uma boa intenção. Como um animal machucado estamos prontos a atacar, e realmente atacamos. Vi uma pessoa com muitas qualidades positivas se transformar pelo medo. Medos que de certa forma compartilho, mas observar as reações me fez ficar mais alerta para os extremos a que pode levar.
Vi ali o medo da rejeição, o medo do abandono, orgulho, que é o medo de ter as fragilidades expostas e principalmente o ego querendo se proteger com palavras duras que só faziam machucar. Não vou negar, também tenhos os mesmos medos e posso machucar muito por isso. Então mais do que nunca era hora de olhar para a pessoa como um espelho.
No começo mantive a tolerância, mas confesso que depois houve muita raiva dentro de mim. Raiva por ser tão mal entendida, mas principalmente raiva das minhas fragilidades e paradoxalmente, da minha força que parecia confrontar diretamente, mesmo sem essa motivação, os medos daquele ser.
Logo na sequência retomei meu prumo e ao me olhar nos olhos perguntei a mim mesma, qual é o seu real medo dentro disso tudo? Como uma cebola sendo descascada descubro que não há miolo, só cascas construidas. O medo não gera aprendizado em si, mas conhecer suas causas e transformá-las nos libera do sofrimento, como bem diz o budismo.
Meus medos ali eram os mesmos da outra pessoa, porém com paisagens, contextos e reações bem diferentes. O que ficou foi a contemplação do desgaste desnecessário e de como algo belo pode se transformar em absoluto terror na escuridão irracional do medo.

Caminhando pela estrada do medo, descubro... quantas mentiras contadas para proteger nossas identidades? E quantas palavras sem sentimento para o mesmo propósito?
Temos medo e não somos honestos, temos medo e interpretamos os papéis que julgamos mais seguros, temos medo e não agimos, temos medo e somos impulsivos, enfim as formas que o medo toma são infinitas, e todas absolutamente negativas e envenenadoras.
Enquanto a fala grita, o corpo contrai, a mente roda, a alma chora, se estica dentro querendo sair. A alma é o único lugar onde habita a coragem e ela está disposta a se mostrar a todo momento. E no coração está o antídoto do medo. Por que continuamos a enconder e manipular o que é natural, com tantos prejuízos e dores? Por que esconder tanto o coração numa carapaça de medo?

É pra se pensar... Melhor ter razão ou melhor ser feliz? Melhor correr o risco sendo abslutamente honesta nos sentimentos e expectativas ou manter a pose em conceitos?
Descubro que tenho medo da minha luz e das sombras que podem mostrar que não sou tão boa quanto imaginava. Tenho medo de onde posso chegar com minha coragem. Tenho medo do quanto sou capaz de amar e me entregar. Tenho medo da minha inocência. E por que? Porque são conceitos. Quando a coragem é energia no corpo e acontece, não há beco para o medo. Quando o amor surge e a entrega é natural, os limites não existem. Quando não penso tanto, olho as coisas com olhos novos, conecto com a simplicidade, qual problema resiste? É verdade que o que mais tememos são nossas capacidades e não nossas inabilidades. Não acredito que nosso medo seja mesmo do fracasso, mas do que seremos na nossa inteireza.

O medo vem de tudo que construimos e queremos manter, mas a coisa mais linda que pode acontecer depois que tudo desmoronar é não perder a lição para sua evolução e continuar firme no seu caminho, sem deixar a mente te levar de volta pro turbilhão de nuvens negras. E quando algo desmorona, nossas ilusões sobre nós mesmos desmoronam junto, e isso é libertador, se soubermos olhar assim.

A plenitude hoje pra mim é estar presente nesse momento. E isso requer uma disciplina de samurai e uma entrega incrível. Então tenho feito como dizem nos Alcóolicos Anônimos, um dia de cada vez, só por hoje. Sim, porque o medo é um vício.


Só por hoje, minha mente vai se manter feliz, a qualquer custo. Para mim e para o mundo, isso é o melhor que posso fazer.





P.S: Dedicated to the blue eyed guy I was afraid of sometimes. You were sweet, tender and gentle, it really meant good things to me.
Dedico ao Yargo, Douglas e Feijão pelas conversas inspiradoras.


Om gate paragate parasamgate bodhi soha

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Como pode ser?



"Se procura o verdadeiro amor escolheu a mais difícil das tarefas.
Todo trabalho não passa de uma preparação.
Amar não significa renunciar, render-se a alguém.
É um chamado a maturidade."

Kama Sutra


Apaixonar-se
Deixar-se entrar
Pra deixar ele sair
Fechar os braços para a intersecção
Abrir os braços pra soltar (pra onde for)
e nada foi perdido

Saber ser apenas homem
Saber ser apenas mulher

Falar com os olhos
Olhar com a boca
Existe a lua
Desnecessário outro tema

Olhar o pequeno
Uma xícara na mesa
Um bombom
O formato do rosto
O desenho do sorriso
Sem que seja xícara
Mesa
Bombom
Rosto
e sorriso

Experimentar
A pele
O gosto da textura
O cheiro da sensação
O formato das curvas
Eletricidade
Química
Conexão

Como pode ser?
Dar a mão ao medo
e deitar-se com ele todo dia?
E deixá-lo penetrá-la
até que seja capaz de ter êxtase com isso

Olhar amplo
O mundo inteiro dentro
O mundo inteiro onde caminha
Expansão
Os espaços entre as distâncias
As distâncias que não existem

As identidades
Desejam
Manipulam
Controlam
É preciso andar na linha com o ego
mas é uma linha que leva de volta ao início do círculo
Beber do veneno
E não se contaminar

Espera-se que tudo se mantenha
Que a mágica se congele
Que o roteiro se cumpra
Que as respostas apareçam

Nisso perde-se a menina
e o menino
Se perde a risada
Se perde a lágrima
Se perde a saliva

Querendo acertar
Joga-se a flecha
e ela pode doer muito
Caso atinja o alvo


Como pode ser?
Pra estar apaixonado tem que se ter o olhar do amor
Como se, para ser discípulo, tenha de se ter o olhar do mestre


Om mani padme hum

domingo, 16 de agosto de 2009

Caminho vermelho


Thangka de Tara Vermelha por Tifanny H. Rezende para o CEBB de Viamão


"Hoje não podeis ver nem ouvir, e é melhor assim
Mas um dia o véu que cobre vossos olhos será retirado pelas mãos que o teceram
E a argila que obstrui vossos ouvidos será rompida pelos dedos que a amassaram
Então vereis
Então ouvireis,
E não deplorareis ter conhecido a cegueira e a surdez,
Pois naquele dia, compreedereis a finalidade oculta de todas as coisas
E abençoareis as trevas, como abençoais a luz."

Khalil Gibran


Tenho vivido experiências muito profundas, um caminho que se descortina a cada passo que dou. Me perguntei esses dias, porque há tanto tempo que busco, apesar de tudo sempre acontecer como mágica e do conhecimento se ampliar cada vez mais, porque não cheguei a determinados pontos antes? Então, compartilho com vocês do meu pequeno caminho que está apenas começando numa outra consciência que era tão clara em conceitos e conhecimento mas que agora se torna parte de mim porque a vivo.

Sobre minha história, sempre fui aquela em que muitos viam potencial na espiritualidade. Era aquela que sabia falar sobre muitos temas, argumentar, discorrer, de tanto querer conhecer. Também era aquela que apesar de se enturmar com facilidade como uma criança curiosa nos grupos, me escondia dentro deles, apenas contemplando, participando nos bastidores ou no meu mundo particular onde a poucos era permitido entrar. Essa era a Alessandra em sua busca espiritual, que por meio das palavras se sentia um pouco mais livre, mas que estava na prisão dos conceitos que criou pra si mesma.

Minha arrogância não me levaria muito longe, nem tampouco minha falsa humildade ou a tentativa de me enquadrar nos conceitos que criei pra mim. Em nenhum deles me encaixei a vida toda, aliás inadequação é um sentimento que me acompanha desde muito cedo, hoje compreendo um pouco mais suas razões.
Admirava os espiritualizados que eu considerava avançados no caminho. Pra mim eles eram muito calmos, tolerantes, carinhosos, bons. Tinham tudo tão claro e viviam suas vidas em muita coerência com o que acreditavam, praticando com muita dedicação, tendo a noção exatada do que fazer a cada momento, qual atitude e energia empregar, enfim, esse era meu conceito das pessoas espiritualizadas que eu admirava.
Assim, tentei abolir minha agressividade durante anos, achando que era inadequada ao mundo espiritual, tentei me esconder atrás da minha coragem, minha ousadia não parecia combinar com meu conceito de humildade. Silenciei minhas opiniões, meus pensamentos, afinal, era tão iniciante e tão má praticante que não poderia dizer nada muito importante em meio a pessoas tão lúcidas.

Esse foi o caminho que trilhei pra adoecer. Esse foi o caminho que me levou a fraqueza e a depressão, por um único motivo: estava tentando trilhar um caminho de conceitos, um caminho mental, um caminho que não era o meu.


Como um leão dopado, levantei muito fraca. Estava numa angústia que me reprimia , numa dor que parecia a morte, numa confusão que parecia loucura. Mas o leão dentro de mim urrava baixinho, rastejava, cheirava, fuçava. Então, dentro da dor profunda, o que tanto pedia e era incomprendida aconteceu: apareceu um caminho diferente.
Despertei com muitos nascimentos que foram- me dados de olhares especiais. Tão intenso que isso se tornou, resolvi me submeter a experiência do silêncio profundo e do encontro comigo cara a cara, no escuro. Por fim, me entreguei a uma pessoa que chamo de "mãe espiritual" (já que ela não se considera uma mestra) e deixei que ela fizesse comigo o que quisesse. Permiti que me submetesse as experiências que achasse necessárias e pela primeira vez na vida não questionei, não duvidei, não pensei. Me entreguei nua a viver o que quer que tivesse de viver, tinha fome de experimentar, tinha fome de sentir na carne, de poder falar por mim mesma.
E foi isso que aconteceu.

Ali descobri a plenitude, o leão começava a mostrar sua força pouco a pouco, e seu coração estava cheio de amor. O rugido começou fraco, até que se manifestou, literalmente, a plenos pulmões. A força do leão era sua ira cheia de amorosidade. Ele não precisava mais brigar, nem lutar contra, ele só precisava usar toda sua coragem e ira naturais pra avançar, experimentar , ir além, mas desta vez amando.

Desde então algo mudou. Os conceitos estão perdendo cada vez mais força, assim como minha mente. Porque aprendo que uma coisa é um nome que se dá a algo, mas viver isso é imensamente diferente e só a experência nos dá a dimensão exata do conceito. Aprendi que raiva é uma coisa, ira é outra, agressividade é uma coisa, firmeza outra. Ser honesta é bem mais profundo que apenas falar a verdade. Não ter medo é bem diferente de ter coragem.
Têm me dito que sou corajosa e na verdade, sempre tive boa disposição pra viver o que quer que fosse, mas não sabia que minha coragem existia cravada na minha alma e que pode inspirar muitas pessoas, como tantas outras me inspiram. Então, se quero colaborar em algo com o mundo, o melhor que faço é a partir da minha própria história. É me expondo, mas com proteção. É mantendo a inocência, que me faz ter tão pouco medo na vida. É praticando a coragem pra abrir caminhos e quem sabe facilitar para tantos que ainda não o conseguem, porque uma estrada já foi percorrida. Pois há em mim uma coragem cheia de fogo e paixão e sentir isso como meu caminho, é a bênção do segundo nascimento.


A coragem da compaixão irada é vermelha, da cor do coração cheio de sangue.







P.S: Dedico toda minha prática em benefício de todos os seres

Agradeço ao Divino e a todos sem exceção que contribuem não para que eu seja uma pessoa melhor, mas para que eu seja o que sou.
Dedico ao meu mestre Lama Padma Samten, pela olhar amoroso nessa minha mudança de curso, nossa conexão permanece porque é autêntica.
Dedido a Manuela, a mãe espiritual a quem meu coração se entrega com alegria e a tudo que significa o Tao Tien.
Dedico aos meus pais, pelo amor primordial.
Dedico a todos que me acompanham nesse canto virtual precioso.


Dedico a Tara Vermelha e Chagdud Rimpoche, que hoje me tocaram.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Amor


"Quando o amor vos chamar, segui-o
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe.
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim.
Pois da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica. E da mesma forma que contribui para vosso crescimento, trabalha para vossa poda.
E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes e as sacode no vosso apego a terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas
Ele vos mói até a extrema brancura
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis

Então ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós para que conheçais os segredos de vossos corações e, com esse conhecimento vos convertais no pão místico do banquete divino.

Todavia, se no vosso temor, procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez e abandonásseis a eira do amor
Para entrar num mundo sem estações, onde rireis mas não todos os vossos risos e chorareis mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
O amor não possui nem deixa possuir
Pois o amor basta-se a si mesmo.

Quando um de nós ama que não diga: "Deus está no meu coração", mas que diga antes "Eu estou no coração de Deus".
E não imagineis que possas dirigir o curso do amor pois o amor, se vos achar digno, determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo amardes e precisardes ter desejos sejam esses os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a noite
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e alegria
De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor
De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor
De voltardes para casa a noite com gratidão
E de adomecerdes com uma prece no coração para o bem-amado e nos lábios uma canção de bem-aventurança."

Khalil Gibran




P.S: Dedico a minha amada irmã que acabou de se casar
Ofereço minha gratidão e meu amor a esse Universo que me enche de amor e dádivas

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Fundo


"Sinto que há nas profundezas do meu coração uma grande força que quer manifestar-se mas é ainda incapaz de fazê-lo.
Meus sentimentos são como as marés de um oceano. Minha alma é como uma águia de asas partidas, sofre dolorosamente quando vê os pássaros voarem no espaço, porque não pode ainda imitá-los."

Khalil Gibran



Tenho compreendido...

Meu pai é mais que alguém que tem obrigações e dívidas, ele tem as mesmas fragilidades, inseguranças e medos que eu, mas muito mais responsabilidade e cobrança.
Depois de anos querendo dele as respostas, as quitações, descubro que quero mais é olhá-lo no olho e abraçá-lo.

É preciso muita paciência, muita disciplina, prática e entrega para os resultados mais profundos.

O samsara é muito mais fácil, atraente e divertido, mas estar consigo requer muito mais coragem do que eu jamais imaginei.

O silêncio é uma jóia muito preciosa.

Reter muitas vezes é a melhor forma de fazer a energia fluir, há muitos canais disponíveis.

A noção de tempo é ilusória, uma prisão pensar que o tempo é algo tão limitado como os inventados minutos, horas, dias e anos... temos realmente uma eternidade pela frente ao passo que não podemos mais perder tempo, o precioso da vida, o sumo da existência.

A tristeza acompanha a gente durante alguns momentos do caminho, é bom deitar no colo da tristeza, olhar nos olhos da saudade e ser afagada pela agressividade.

É preciso coragem, muita coragem pra ir a fundo e ir a fundo faz parte de mim então não tenho saída.

Muitas vezes fazer o que tem que ser feito é o melhor a se fazer no momento de confusão.

É muito mais difícil amar a si mesmo.

Compreender é mais importante que entender.

Ficar nua é um bom começo pra perder a vergonha e a culpa.

Me satisfaz a companhia e as estrelas do céu, preciso cada vez de menos.

Estou assustada (e fascinada) com tantas descobertas e achava que não me assustava tão fácil.

Não têm mais importância minhas idéias sobre mim, elas não vão durar muito tempo mesmo...

Quero um companheiro mais pra oferecer que para receber, o delicioso dessa imagem são as inúmeras ofertas que eu já ensaiei dentro de mim...

É precioso ficar parado no meio do caos. Ficar parada e inteira gera muito mais experiências e atrações positivas que a ansiedade de buscar o tempo todo.

Peregrinar pode ser uma idéia muito mais interessante que viajar.

Amo muito mais as pessoas do que eu imaginava, e sou tão amada que não posso me contentar com pouco.

Eu quero experimentar, estou um pouco farta de idéias.

Tudo que eu quero tem um preço bem caro e eu estou disposta a pagar , mas não vai ser fácil.

Ainda tenho medo de fantasmas, mas nem por isso saio do quarto ou acendo a luz.

A escuridão pode ser um bom lugar pra um encontro com você mesmo.

Amar alguém pode ser renunciar a isso.

O amor é muito mais que desejo, mas o desejo pode ser muito amoroso.

Minha mente tem perdido a força e isso me faz experimentar um pouco de loucura.

Não adianta querer explicar ao senso comum, no caminho do coração a incompreensão e a solidão são grandes companheiras.

Olhar com olhos novos é uma dádiva.

A simplicidade é divina, a forma mais profunda de aprendizado e está a nossa disposição o tempo todo.

Eu sou livre, até pra mudar de idéia.





P.S: Dedico ao generoso Universo, que gira, traça, joga e faz com que as experiências sejam sublimes no caos.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Silêncio


"Onde subirei, com meu desejo?
De todas as montanhas eu busco terras paternas e maternas.
Mas não encontrei um lar em lugar algum.
Sou um fugitivo em todas as cidades, e uma partida em todas as portas.
Os homens de hoje, para quem meu coração recentemente me levou, são -me estranhos e grotescos.
Sou expulso de todas as terras paternas e maternas.
Assim, eu agora amo apenas a terra dos meus filhos, ainda não descoberta, no mar mais distante: e nesta direção enfuno minhas velas...
Na gregaridade repetem-se os mundos velhos, carcomidos.
Na solidão se contempla o nascimento de novos mundos.
As montanhas, as florestas, os mares: cenários da alma.
Há neles uma grande solidão.
E a solidão é dolorida.
Mas há também uma grande beleza, pois só na solidão que existe a possibilidade de comunhão.
Assim não tenha medo: "Foge para dentro da tua solidão. Sê como a árvore que ama com seus longos galhos: silenciosamente, escutando, ela se dependura sobre o mar."

Assim falou Zaratrusta - Nietzsche



P.S: Dedico ao portal que descobri entre as montanhas e a querida Manuela.